Manifesto contra a apatia e outras coenças de nosso tempo
Dói no coração saber que existem tantas coisas erradas conosco e em todo lugar por pura falta de atitude e de senso de cooperação e de amor. É duro saber que o mundo se deteriora a cada instante por pura falta de capacidade de todos nós, que não conseguimos lhe devolver o que de bom nos é dado. Pessoas apáticas ou com senso de violência equivocado destroem ao invés de construir e matam o que sobra de solidariedade e compaixão. Pessoas medíocres comandam e os poucos cérebros privilegiados tapam os olhos diante da estupidez diária de nossas vidas, que acabou se tornando nossas vidas. É preciso dar um basta a toda essa hipocrisia e toda essa falta de bom senso, toda essa ignorância (acho que já ouvi isso em algum lugar). Precisamos acordar e dar um sentido a nossas vidas, antes que a morte faça isso por nós, quando será meio tarde, acho. Enxergo isso agora como algo mais claro que água, que dantes era escura mas que a luz do amor fez com que ela se limpasse de toda poluição. É preciso que limpemos nossos corações e mentes de tanta poluição. Nossos dias passam sem que percebamos e nossas vidas chegam ao nada a cada segundo. É vergonhoso. Deixaremos que pessoas tão mediocres nos comandem por quanto tempo mais? É preciso que criemos uma filosofia para nossos tempos, que a inteligência seja desenvolvida e que deixe de ser algo ridiculamente pejorativo (peleguice), preciso que torne-se virtude novamente e motivo de busca incessante. Só através do desenvolvimento intelectual conseguimos nos desenvolver. Chega de idiotas e suas especulações supostamente metafísicas. Chega de estúpidos que não comem carne para não maltratar bichinhos, seres vivos, sem lembrar que alface tb é ser vivo! É irritante a falta de raciocínio e a cegueira com que certos conceitos de nosso tempo são tidos como verdades absolutas e irrefutáveis. Parem de olhar para os céus, pelo menos enquanto existem seres vivos morrendo de fome e sem saber ler seu próprio nome, ou o ônibus em que vai trabalhar... É impressionante como a intolerância está acabando conosco. Chega de racismo. Chega.
Categoria: Explosão nossa de cada dia
Escrito por joão da Silva às 00h56
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Help Me
Acorda, em meio ao frio, e logo vê a imagem no espelho. Esfrega os olhos, e não crê.
Faz muito frio, mas é preciso levantar para ir ao trabalho. Faz tempo que o emprego o sufoca, mas H. o faz. "É preciso quebrar alguns ovos para fazer omelete", dizia sem convicção. Olha ao lado e vê o vazio na cama grande. Vazio menor que de seu peito, concordava consigo. Desfazia-se do torpor enquanto arrumava e dobrava o cobertor. Abria o guarda roupa para pegar meias, sempre abrindo a gaveta dela para ver se ainda sobrava algo. Ela, organizada, brigava com essa sua mania, ele sabia qual era sua gaveta, e onde estavam suas meias. Ele o fazia para ter certeza de que o sonho permanecia vivo. Gostava dessa sensação antes de abrí-la; Sim, hoje vai haver algo na gaveta. Mas não há. Prepara o próprio café, sem se preocupar com o adoçante. De aspartame, que lembra mais o açúcar, ela dizia no supermercado, e sempre lhe dava as mesmas orientações sobre como era fabricado o tal aspartame. Ele sorria, pela milésima vez, e lhe retribuía com um beijo. "Aqui não, H. Tem gente olhando" recebia em troca. Ria. Gostava de saber que, no fundo, ela se sentia amada. Agora o café vai com açúcar mesmo, do seu jeito. Ainda não se acostumara com a cafeteira nova, comprada depois de ter destruído a antiga. Olha para a cicatriz na mão. Sai da cozinha em direção ao banheiro, o mesmo ritual de anos e que ela tanto odiava. Olhar a toalha para ver se está seca. "Você sempre faz as mesmas coisas, é previsível demais. Qualquer um sabe variar, menos você", bradava do lado de fora do banheiro, sempre fazendo algo diferente em relação aos dias anteriores. Pegar a escova e seguir com ela até a boca com os olhos, mesmo que isso o deixasse meio vesgo, patético. E sempre rir depois disso. "Você é mesmo patético". H sorria, engolia seco e continuava sempre em seu ritual. Brincava com os desenhos do azulejo. Ela reclamava mais um pouco, ele saía do banheiro e lhe dava um beijo, ao qual ela retribuía com um "Não falei? Sempre esse mesmo beijo. Estou cansando disso". Veste a roupa começando, como sempre, com a camisa. "Você não sabe me valorizar, você sempre faz e desfaz da mesma maneira. Viva e deixe viver, seja novo, viva o novo, H.". Ela sempre falava, o tempo todo, sobre como ele deveria ser ou agir, estar. Ela reclamava e ele balançava a cabeça, cantarolava alguma canção que insistia em voltar à sua mente nesses momentos, e que ele nunca lembrava qual era. Sai para o trabalho, encarando o chão e as sombras. Não há mais vida. Não que como estava fosse algo realmente feliz, mas se deixar levar é pior. O problema não era a falta dela. Era o vazio que H. sentia em seu peito, mesmo quando ela ainda habitava sua casa, em seu casamento de falsas promessas e esperanças. Ele e ela se apaixonaram, mas se deixaram levar e esse sentimento os transformou em escravos. Ela teve a coragem de sair e acabar. H. começa aos poucos, com sua pouca coragem e sua fraqueza de espírito.
Algo que ele sente falta agora começa a ser esquecido. A vida e o trabalho começam a lhe tomar o tempo.Toma as decisões necessárias com a sensação de que algo está corroendo seu corpo. No trabalho, H. já não consegue mais perceber o que há de novo e interessante para tomar nota e seguir em frente. Nenhuma pauta é boa o suficiente para ser investigada. Seu chefe de redação agora o chama para conversar e diz que, devido aos problemas financeiros da companhia, ele terá de fazer alguns ajustes na equipe de redatores. Estranho. Depois que ele disse a palavra "ajustes", H. não consegue mais ouvi-lo, e lhe vêm a música de quando brigava com ela na cabeça, e ele começa a segui-la, mentalmente. Então, vê alguns papéis na mesa e uma caneta em direção à sua mão. Assina, levanta e vai embora. Livre, é o q sai de sua boca. H. passa na mesa onde trabalhava e recolhe seus objetos como se algo nele estivesse renascendo. É, esse é o sentimento. Algo lhe diz que hoje começa mais um dia de renascimento para ele. Cumprimenta os agora ex-companheiros e sai, encarando o sol e as sombras e as paisagens e as pessoas e as coisas todas do mundo. Sente-se como antes de abrir a gaveta. Lembra-se das sombras. Senta-se num banco do metrô, olha para os sapatos e chora.
Categoria: Rascunhos de Ser. E tempo.
Escrito por joão da Silva às 00h54
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Para arquivos anteriores a agosto de 2005, é melhor ir na fonte: refugiado
Escrito por joão da Silva às 00h49
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Os erros de digitação expressam mais a indignação do que qualquer regra gramatical, impressionante.
Escrito por joão da Silva às 00h46
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Estive lendo minhas mensagens Antigas, que depois que importei do weblogger nunca havia parado para ler... Estão uma zona! E a do uol nem deixa eu consertar a merda que o sistema deles fez... Que raiva. Mas o weblogger fez pior, ao dar meu dominio, criado em agosto de 2001, para outra pessoa...
Escrito por joão da Silva às 00h22
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You Stole My Heart
When I saw you for the first time I felt my heartbeat growing stronger You came to me just like a vision of hope And I knew we'd be together somehow You gotta know - You're all I want Only you make me feel I don't have to die to go to heaven Baby, baby, you know I need you Just like I need the air I breathe You changed my life You woke up my feelings I never knew love I was blind - Now I see that You stole my heart Anytime you're not right next to me I'm so afraid you'll stay away There is no way to go easy with love It can be so dangerous But this time I must try You gotta know you're all I want Only you make me feel We don't have to die to go to heaven
Categoria: songs of faith and devotion
Escrito por joão da Silva às 00h02
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Years Gone
Não sei se estou arrependido ou aliviado. Nosso amor não acabou, depois de todos esses anos. Ainda sinto no ar seu perfume, nas mãos ainda está a maciez de seus cabelos. Em minha retina a imagem do retrovisor interno do carro, com sua imagem invertida, segurando as mãos, chorando. Dos presentes devolvidos. Dos e-mails, dois meses depois, lembrando e forçando algo que não resistiria a um encontro.
Passaram os anos. Ficou a doçe lembrança de um amor puro, doce, que remetia a uma época que não vivemos. Será que me sentia assim na época em que estivemos juntos? É bem possível que sim. Lembro de quando caminhávamos pelas ruas próximas de sua casa, compravamos guloseimas e sentávamos na calçada, rindo um do outro e um para o outro. De quando brigávamos e você ficava doida de me ver entrando com um buquê de flores do campo pela sala, com a ajuda de sua mãe, para que então fizessemos as pazes em um beijo envolto em lágrimas e arrependimento. Lembro de você cantar baixinho, todo envergonhada por desafinar um pouco, uma música ao meu ouvido, encostados ao portão. Ouço essa canção todos os dias.
Lembro de quando brigamos pela última vez. De sua aspereza, de sua falta de compreensão com minha falta de atitude mediante tantos problemas por quais passava. Da promessa de que aquela seria nossa última briga, lembra-se? Estávamos no carro, no estacionamento de um supermercado, eu sem saber o que fazer com as mãos, você nervosa. Sorrimos e prometemos paixão e compromentimento. Uma semana depois, eu separava os presentes que me deu para devolvê-los. Seria duro demais guardar você tão perto de mim. Mal sabia que nunca sairia de meu coração.
Lembro de você, chorando no altar, ao me ver. Lembro de que sua mãe me pediu gentilmente para ficar, pois ela gostaria de conversar comigo, havia tempos que não nos víamos. Mas não, não consegui. Ver você, tão linda e perfeita naquele vestido era demais para mim. Ainda é, pois nada saiu de minha cabeça.
Passava sempre em frente de sua casa, na vã esperança de vê-la mais uma única vez. Procurei perfil em site de relacionamento. Engraçado lembrar de tudo isso agora. O paramédico diz para eu aguentar, eles irão me salvar.
Mas eu não paro de pensar em você, Mônica. Em nosso primeiro beijo. Em nosso último, naquele dia do portão. Lembro de resistir ao máximo para não beijar sua boca e lhe dar um abraço quente, mas você tinha sido tão firme que desisti, então beijei-lhe a testa e me fui. Agora parece que, como vou morrer, a única coisa que gostaria de ver diferente em tudo isso era esse beijo. Talvez tivesse mudado tudo, e eu não estivesse embaixo dessa roda de caminhão.
Nossos anos se foram. Minha vida, lentamente, se vai para o mesmo caminho, e com ela se vai nosso amor.
Categoria: Rascunhos de Ser. E tempo.
Escrito por joão da Silva às 23h59
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Além da estagnação básica e corriqueira, baixou em mim agora uma total falta de iniciativa para correr. Nem atrás, nem para os lados, nem para sair da frente.
Agora é que não vai mesmo.
Escrito por joão da Silva às 23h13
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Escrito por joão da Silva às 23h54
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Assusta essa história de blogs perseguidos por praticarem o princípio básico de existência de um diário, que é a necessidade de alguém expressar suas opiniões... Por mais que neguem, ninguém sai a prender gente na rua por xingar juiz de futebol, nem torcedor rival. Mas com político é diferente, a grana fala alto. E os blogueiros, que sempre se disseram unidos, saem de fininho e apoiam de longe. Foda isso. Cadê gente na rua? Só pq é no norte do país ninguém faz mais nada? Se fosse alguém daqui de sampa, será que seria diferente?
Sei que é um comentário meio inocente, mas bate de frente com a minha teoria sobre Brasil. No dos outros é refresco.
Escrito por Joel Barish às 23h10
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O coração dos apaixonados. É lá que devemos morar. Onde devemos depositar nossa confiança. A esperança deve ficar um pouco mais abaixo, no estômago.
Escrito por Joel Barish às 23h24
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De doce e terno, eterno. Cai a máscara e sobra o medo. Quem sou eu afinal? Qual meu papel neste mundo louco, de pessoas tão cruéis ou tão passivas? Que lugar tenho eu neste lugar sem esperança e sem perspectivas? O que devo fazer, então, para evoluir?
Tenho medo de acordar e saber que a resposta me foi dada, mas que esqueci no bolso da calça lavada ontem...
Escrito por Joel Barish às 23h11
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In this world
Por não parecer, acaba e começa nos planos de toda uma geração. Leva nos ombro a culpa e a graça de seguir adiante, de lutar e tentar viver. Apesar de tudo e de todos. Ela, com a graça de seus longos cabelos vermelhos, distribui mais um panfleto e encara mais um xingamento. Sim, alguém é capaz de xingar a quem só quer melhorar. Deve ser por isso, não se quer fazer o melhor, porque dá muito trabalho. E todos só querem ir pra casa, tomar um bom banho e comer sua refeição.
Por não ligar, acaba e começa seus dias sozinha, na cama, do mesmo lado que acordava quando era criança. Ainda sonha com os mesmos amigos imaginários, mesmo que eles não a visitem há tempos... Levanta e ama a todos em seu caminho, sem distinção, como se ainda fosse possível esse tipo de coisa, vejam só!
Ainda há espaço para mais, apesar de seu coração bater em um só ritmo há tempos. Hoje, não sabe como, sente falta de um pouco de descompasso em seu samba interno. De um pouco de frio na barriga, daqueles que temos quando esperamos no portão a pessoa a quem se ama... Pois, é, amar. Misturar as emoções um pouco, já que só amar não faz tão bem quanto imaginava. Neste mundo louco um pouco de carinho faz mesmo falta.
Neste mundo, talvez em qualquer outro, ainda sinta a falta de uma carícia em seus cabelos, de um abraço apertado, de um beijo reconfortante e doce, como o dos lábios dele. Mas ele se foi, sumiu deste mundo.
Desde então seu olhar se perde na multidão, de panfleto e olhar faiscante na mão. Quem sabe aquele rosto aparece novamente...
Categoria: Rascunhos de Ser. E tempo.
Escrito por Joel Barish às 23h08
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I Just Don't Think I'll Ever Get Over You
Ainda acho que nunca vou te esquecer. Seu cheiro ainda impregna minha memória. Seu gosto ainda está em minha boca. Seus cabelos ainda estão ainda em minhas mãos. Nossas brigas, nossas reconciliações. Nossos amassos escondidos de suas amigas, no corredor da república. Ainda acho que nunca superarei nosso amor. Nunca esquecerei nossas risadas soltas, nossas lágrimas dolorosas. Nossos beijos pelo retrovisor, nossas conversas pelo telefone que duravam horas.
Nunca esquecerei que você me esqueceu naquele bar. De ver que nunca realmente se importou com minha situação. Nunca esquecerei de ver você pendurada em outro, apenas um mês depois de se esquecer de mim. Que disse estar feliz por se livrar de alguém tão depressivo, que só atrasava seu progresso. De alguém triste por não poder.
Nunca vou esquecer de seus lindos olhos amendoados. Sua pele branca e macia. Seu coração pulsando, tum-tum, ao me abraçar.
Pena que o meu não mais sente o seu.
Eu acho que nunca irei superar nosso amor.
Categoria: songs of faith and devotion
Escrito por Joel Barish às 22h09
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Finalmente, estou fora daquela merda. Preciso crescer, me tornar homem e seguir em frente. Preciso evoluir. Não dá mais para trabalhar em banco, minha resistência a essa maldição acabou.
Chega de mediocridade, espero que essas amarras sejam quebradas e que eu consiga finalmente sair do lugar.
Escrito por Joel Barish às 10h11
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